[Livro em pré-venda – envio a partir de 5 de abril]
Há livros que nascem de um longo silêncio – e há silêncios que só encontram repouso quando viram poesia. A lágrima mínima é esse momento de passagem: o instante em que Samyra Crespo, conhecida do grande público por sua atuação como ambientalista e pensadora das questões do país, decide trazer à luz a parte mais íntima de sua trajetória — aquela que durante décadas viveu guardada, quase clandestina, no território secreto do poema.
Pseudônimo, gaveta, cautela: a história desta obra é também a história de uma voz que amadureceu entre deveres públicos e urgências privadas, entre a militância, o pensamento crítico e a necessidade sempre renitente de escrever versos. Até que, ao criar a página Leituras Livres, inesperadamente habitada por milhares de leitores, Samyra encontrou não apenas um espaço de partilha, mas o impulso para revelar a poeta que sempre esteve ali – discreta, profunda, obstinada. Os poemas aqui reunidos caminham por três eixos fundamentais: a infância que retorna em flashes luminosos; os amores vividos, imaginados, feridos ou reinventados; e as visagens – esse terreno onde o real se dobra para dar passagem ao mistério, à memória, ao espírito que caminha. Há borboletas que confundem a alma, janelas que nunca se fecham, anjos discretos, mulheres múltiplas, feridas antigas, alegrias quase inaudíveis, e uma delicadeza insistente que atravessa tudo com a força de quem finalmente se reconhece.
Samyra escreve com a franqueza de quem conversa ao pé do ouvido: a linguagem é clara, direta, mas carregada de cintilações, como se cada verso fosse um gesto de aproximação. Entre a leveza e a densidade, entre o sutil e o contundente, seus poemas se movem com a liberdade de quem sabe que, no fim, a poesia é esse lugar raro em que a emoção encontra forma – mínima, talvez, mas decisiva. Este livro é o primeiro passo de uma revelação tardia e ao mesmo tempo necessária. A poeta que antes se escondia agora se oferece inteira. E o leitor, convidado a acompanhá-la, talvez encontre aqui algo precioso: a certeza de que toda vida guarda um núcleo secreto de poesia – basta deixá-la, enfim, aparecer.


Numa nada dada situação 