Ave nave do dia
R$58,00
Ao longo de mais de quatro décadas de criação, Adriano Espínola construiu uma obra marcada pelo movimento. Seus livros mais conhecidos – de Táxi a Metrô, de Beira-Sol a Praia provisória – transformaram a viagem, a cidade, o trânsito dos corpos
e da linguagem em matéria poética. Em Ave nave do dia, esse impulso reaparece sob uma forma ao mesmo tempo mais livre e mais abrangente: a do percurso que atravessa tempos, paisagens e experiências, reunindo poemas escritos em épocas distintas, mas ligados por uma mesma atenção ao mundo e aos seus sinais.
Há neste livro uma poesia que se desloca continuamente. Ela caminha pelas praias do Rio de Janeiro e pelas ruas de Fortaleza; observa o vento no Arpoador, a Banda de Ipanema, o subúrbio, o supermercado, o edifício histórico, a favela sobre as dunas, o mar e seus horizontes. Mas também se detém diante de uma rosa, de um par de sapatos abandonados, de um caco de vidro refletindo o sol. O olhar do poeta sabe que o extraordinário costuma se esconder nas coisas mais simples, e que cada instante pode revelar uma passagem entre o visível e o invisível. Essa atenção ao cotidiano convive com outra dimensão, igualmente forte: a reflexão sobre a própria poesia. Muitos dos textos aqui interrogam a linguagem, suas possibilidades e limites, a estranha condição de quem escreve e tenta nomear o real. O poeta aparece como errante, viajante, marinheiro, artesão das palavras e, ao mesmo tempo, alguém que reconhece o mistério irredutível das imagens e da experiência. “Nunca a tenho como quero”, confessa uma das vozes do livro, lembrando que toda criação nasce de uma aproximação imperfeita, mas necessária.
Entre formas breves e poemas de maior fôlego, entre a canção lírica, a observação social, a memória afetiva e a meditação filosófica, Ave nave do dia oferece ao leitor um amplo panorama da poesia de Adriano Espínola. Não como retrospectiva ou balanço, mas como travessia. Uma travessia movida pela luz, pelo desejo de compreender o tempo e pela confiança de que a palavra poética ainda pode abrir, em meio ao rumor dos dias, um espaço de descoberta, espanto e liberdade.
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Ao longo de mais de quatro décadas de criação, Adriano Espínola construiu uma obra marcada pelo movimento. Seus livros mais conhecidos – de Táxi a Metrô, de Beira-Sol a Praia provisória – transformaram a viagem, a cidade, o trânsito dos corpos
e da linguagem em matéria poética. Em Ave nave do dia, esse impulso reaparece sob uma forma ao mesmo tempo mais livre e mais abrangente: a do percurso que atravessa tempos, paisagens e experiências, reunindo poemas escritos em épocas distintas, mas ligados por uma mesma atenção ao mundo e aos seus sinais.
Há neste livro uma poesia que se desloca continuamente. Ela caminha pelas praias do Rio de Janeiro e pelas ruas de Fortaleza; observa o vento no Arpoador, a Banda de Ipanema, o subúrbio, o supermercado, o edifício histórico, a favela sobre as dunas, o mar e seus horizontes. Mas também se detém diante de uma rosa, de um par de sapatos abandonados, de um caco de vidro refletindo o sol. O olhar do poeta sabe que o extraordinário costuma se esconder nas coisas mais simples, e que cada instante pode revelar uma passagem entre o visível e o invisível. Essa atenção ao cotidiano convive com outra dimensão, igualmente forte: a reflexão sobre a própria poesia. Muitos dos textos aqui interrogam a linguagem, suas possibilidades e limites, a estranha condição de quem escreve e tenta nomear o real. O poeta aparece como errante, viajante, marinheiro, artesão das palavras e, ao mesmo tempo, alguém que reconhece o mistério irredutível das imagens e da experiência. “Nunca a tenho como quero”, confessa uma das vozes do livro, lembrando que toda criação nasce de uma aproximação imperfeita, mas necessária.
Entre formas breves e poemas de maior fôlego, entre a canção lírica, a observação social, a memória afetiva e a meditação filosófica, Ave nave do dia oferece ao leitor um amplo panorama da poesia de Adriano Espínola. Não como retrospectiva ou balanço, mas como travessia. Uma travessia movida pela luz, pelo desejo de compreender o tempo e pela confiança de que a palavra poética ainda pode abrir, em meio ao rumor dos dias, um espaço de descoberta, espanto e liberdade.
