Chute

R$57,00

Em estoque

Chute

R$57,00

ISBN: 9786559057078 REF: 9786559057078 Categoria:

[Livro em pré-venda – entrega a partir de 25 de fevereiro]

Chute, esse formidável livro de Maria Ignez Barbosa, surpreende pela multiplicidade de tempos e dinâmicas que apresenta. Do “tempo que não mais flui”, vivido durante a pandemia, ao tempo de múltiplos fluxos da arte, que pode sincronizar Vermeer e Nan Goldin, De Chirico e Rachel Whiteread, Van Der Weide e Andres Serrano.

A primeira parte do livro reúne os poemas escritos sob a covid-19. A linguagem coloquial e irônica da autora não esconde a angústia desse tempo sem voo: “fique em casa / horizontal / fugindo do mal secreto”. Tempo de máscaras que impedem de “ler o livro dos lábios”, de boletins diários de desaparecidos nos deixando irreconciliados com a vida, assustados com a morte. Tempo de uma dinâmica negativa contra o qual a poeta dá testemunho do sol e da asfixia.

A segunda parte, “Em busca do poema”, realiza a necessária sondagem do instrumento com que qualquer poeta sonda o mundo: a linguagem. E aqui os poetas mais convocados pela autora para uma espécie de diálogo são Maiakóvski, por conta de sua linguagem direta e crítica do mundo, e Fernando Pessoa, este principalmente na terceira parte do livro, “Buscando ser”, pelo desassossego necessário de se investigar a experiência interior. Menos com o desejo de definir quem se é do que para “infinir” (expressão de Didi-Huberman) quem se pode ser.

A parte final, “Aos meus olhos”, talvez seja aquela que mais imediatamente pode encantar um leitor que toma contato pela primeira vez com a poesia da autora. A riqueza de referências, detalhes, sutilezas, percepções, passa a desfilar à nossa frente em modo quase caleidoscópico. É uma festa para os cinco sentidos. Basta ler um poema como “Ao sussurrar das pequenas coisas” para se ter certeza de estarmos diante de uma poeta craque, de chutes certeiros.

O aspecto memorialístico, espalhado um pouco ao longo do livro mas com alguma concentração na sessão “Entretantos”, valeria também uma análise detida que o espaço exíguo de uma apresentação não permite. Mas diga-se que muito da delícia do livro vem dos encontros, mais ou menos circunstanciais, com gente como Charlotte Rampling, Murilo Mendes, um indiscreto pintor surrealista espanhol e Guimarães Rosa. Mas é até bom deixar para o leitor o prazer e a surpresa de tantas descobertas possíveis nesse realmente precioso livro.

Carlito Azevedo

Número de Páginas

Ano

Formato

Edição

Selo

Este site usa cookies para lhe oferecer uma melhor experiência de navegação. Ao navegar neste site, você concorda com o uso de cookies.