Cortázar por ele mesmo
Organização e tradução:
Cassiano Viana
R$68,00
Cortázar por ele mesmo reúne quatro valiosas entrevistas concedidas por Julio Cortázar a duas televisões públicas, da Espanha e da Argentina, entre 1977 e 1983. Trata-se de um material que revela uma singular dimensão íntima e autorreflexiva. Entre memórias, humor, política, ética e reflexão poética, o escritor pensa sua vida, sua obra e oferece sua original visão da literatura e da linguagem. Vistas em seu conjunto, as quatro entrevistas configuram um poderoso espaço biográfico, um território discursivo híbrido, situado entre vida e narrativa, onde o sujeito se constrói performaticamente perante o outro. Nesse sentido, elas não são um mero registro documental, são autorrepresentações em que Cortázar negocia sua memória, revisita episódios pessoais e literários, reelabora sua trajetória e projeta sentidos para sua obra. Cada conversa funciona como uma pequena cena biográfica: o escritor se narra, se corrige, se inventa e se reinscreve, produzindo uma figura de si que é sempre provisória, relacional e atravessada pela presença do interlocutor. Assim, o livro não apenas preserva a voz de Cortázar, mas revela o modo como essa voz se constitui, no encontro, na conversa, na performance. A organização, transcrição e tradução cuidadosas de Cassiano Viana devolvem ao leitor a textura viva dessas falas – seus ritmos, pausas e desvios – e permitem acompanhar Cortázar no gesto íntimo de pensar em voz alta, compondo um autorretrato que só existe na conversa.
Elena Palmero González
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Cortázar por ele mesmo reúne quatro valiosas entrevistas concedidas por Julio Cortázar a duas televisões públicas, da Espanha e da Argentina, entre 1977 e 1983. Trata-se de um material que revela uma singular dimensão íntima e autorreflexiva. Entre memórias, humor, política, ética e reflexão poética, o escritor pensa sua vida, sua obra e oferece sua original visão da literatura e da linguagem. Vistas em seu conjunto, as quatro entrevistas configuram um poderoso espaço biográfico, um território discursivo híbrido, situado entre vida e narrativa, onde o sujeito se constrói performaticamente perante o outro. Nesse sentido, elas não são um mero registro documental, são autorrepresentações em que Cortázar negocia sua memória, revisita episódios pessoais e literários, reelabora sua trajetória e projeta sentidos para sua obra. Cada conversa funciona como uma pequena cena biográfica: o escritor se narra, se corrige, se inventa e se reinscreve, produzindo uma figura de si que é sempre provisória, relacional e atravessada pela presença do interlocutor. Assim, o livro não apenas preserva a voz de Cortázar, mas revela o modo como essa voz se constitui, no encontro, na conversa, na performance. A organização, transcrição e tradução cuidadosas de Cassiano Viana devolvem ao leitor a textura viva dessas falas – seus ritmos, pausas e desvios – e permitem acompanhar Cortázar no gesto íntimo de pensar em voz alta, compondo um autorretrato que só existe na conversa.
Elena Palmero González
