Em Diante da minha janela, Alvaro Senra transforma a experiência da pandemia em matéria literária viva, recusando tanto o registro apressado do diário quanto a falsa neutralidade do testemunho distante. Escritas entre 2020 e 2021, as crônicas reunidas neste livro nascem de uma posição concreta e vulnerável: a do sujeito confinado, atento ao que se passa fora – e dentro – de sua própria vida.
Da janela de um apartamento em Niterói, o autor observa ruas esvaziadas, vizinhos, pequenos rituais cotidianos, cenas banais que, sob a pressão do medo e da incerteza, ganham uma densidade inesperada. O que antes passava despercebido — o café da manhã, a conversa com um sabiá, a presença insistente do mar, a rotina das farmácias — torna-se forma de resistência e, sobretudo, de memória. Escrever é não esquecer.
Professor de História, Senra cruza com naturalidade o olhar atento ao presente e a longa duração dos acontecimentos: a pandemia aparece como guerra difusa, atravessada por negacionismo, autoritarismo, violência simbólica e política, mas também por gestos mínimos de cuidado, humor ácido e lampejos de humanidade. Há crônicas marcadas pelo luto e pela indignação; outras se deixam conduzir pela ironia, pela observação urbana, pela reflexão sobre o tempo, o envelhecimento, a política, a cultura e o futuro – ou o “desfuturo” – que se anunciava. Sem idealizações, Diante da minha janela compõe um painel fragmentário e honesto de um período que ainda nos atravessa. Ao costurar lembranças, leituras, cenas íntimas e comentários públicos, Alvaro Senra constrói uma literatura da sobrevivência: escrita como trincheira, como gesto de lucidez e como tentativa de dar forma a uma experiência coletiva que insiste em não se deixar apagar.


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