As seis histórias que compõem este Diário da criação do mundo têm em comum o sabor de uma prosa que se lê com um gosto especial: como naquelas canções dos grandes compositores – cheias de riquezas harmônicas mas cujas melodias soam simples e ficam para sempre na memória –, a escrita de Luís André Nepomuceno conjuga as riquezas de ritmo, vocabulário e erudição a uma fluência que nos seduz desde as primeiras linhas. É quase como se estivéssemos ouvindo o relato diretamente, numa conversa íntima, daquelas que nos deixam cada vez mais ansiosos por saber o final da história. E não faltam mistérios e surpresas, em cada uma delas. Seja no legado mais do que literário deixado nos cadernos de Téo depois de um atropelamento; na tripla graça infantil das meninas de Brusque, em suas peculiaridades e semelhanças; nos trâmites, disfarces e papelórios que envolvem uma adoção, no conto que dá título ao livro; nas tramas de um papel shakespeariano secundário num teatro do interior; na reconstrução da vida de um tio idoso; ou no tom epistolar de uma ironia quase machadiana que responde a um convite de casamento na “Carta sobre a filosofia das dívidas”.


Trama
Corvos contra a noite
O mar que restou nos olhos
Parados e peripatéticos
Numa nada dada situação
A tulipa azul do sonho
Tartamudo
Mulheres de moto pelo mundo
Carona é uma coisa muito íntima
Ciclopes e medusas
O que pode dar certo
A filosofia natural e experimental na Inglaterra do século XVIII
Olha, os agapantos estão voltando!
Diálogos possíveis
Caminhos do hispanismo
Max Martins em colóquio
Campos de Carvalho contra a Lógica
Camilo Castelo Branco e Machado de Assis em diálogo
Sodoma
Ficção e travessias
O vento gira em torno de si
O autista e seus objetos
A tradição viva em cena
Teatro e comicidades: Estudos sobre Ariano Suassuna e outros ensaios
IV Encontro Luso-Brasileiro de Museus Casas
A casa invisível
Espiral: contos e vertigens 

