Com versos de extrema concisão – muitas vezes basta uma única palavra –, Alberto Tassinari constrói sua poética muito própria, partindo das memórias da infância e chegando à solidão de um presente próximo e distante (no espelhamento de volver aos 17, aos 71), em que investiga o som das músicas ocultas nos buracos negros ou nas ondas do mar (pinga / uma nota / exata / sobre a minha mesa), as possíveis imagens de um desenho que pode ser a sombra de um arame numa escultura de Calder, o fino fio da arte que se equilibra na corda bamba das palavras.
Segundo escreve Nuno Ramos em sua apresentação, “[…] a passagem da extrema modéstia (presente na filiação drummondiana explícita, na falta de pretensão de tantos versos, no louvor aos fantasmas) para a ambição de quem tudo pode é um dos movimentos mais curiosos destes poemas, espécie de vingança dos mansos. Pois o caminho é da formiga, reparem – no singular. É a afirmação polida deste caminho que ela canta, sem precisar da cigarra, em versos que fazem consigo (como um caramujo ouvindo a própria concha em meio à barbárie progressiva do espaço público brasileiro) aquilo que perderam no mundo – uma conversa / num elevador domingo.”


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