Este é um livro sobre deslocamentos e contaminações. Ele parte de uma pergunta: o que acontece com o pensamento especulativo que se deixa afetar quando em contato com dispositivos artísticos? Isto é, que formas (e deformações) adquirem textos que abandonam a suposta neutralidade de sua enunciação a fim de aderir, assumidamente ou não, a algum tipo de procedimento poético como método investigativo?
Para responder a isso, a autora parte de experiências que em diferentes momentos descaracterizaram o pensamento teórico-crítico com gestos radicais de escrita: Walter Benjamin e o trabalho das Passagens; Roland Barthes e A preparação do romance; Gilles Deleuze e Félix Guattari com os Mil platôs.
O que essas produções têm em comum é a adesão a linguagens tradicionalmente identificadas com aquilo que a metafísica ocidental nomeou como “sensível”. Seja Benjamin com a colagem, Barthes com o cênico e Deleuze e Guattari com o performático, o que vemos são episódios da história do pensamento em que a cisão entre poesia e filosofia é de algum modo suspensa, dando lugar a encontros intensivos, de efeitos impensados, capazes de expandir as relações entre linguagem poética e linguagem teórico-crítica.
Aos três experimentos vêm somar-se aquilo que a autora nomeia como “casos-coringa”: episódios mais recentes, alguns deles brasileiros, fazem parte de uma lista em que a colagem, o cênico e o performático tornam-se dispositivos trabalhados com invenção e risco: Roberto Corrêa dos Santos e o curso de pós-graduação Doença/saúde, oferecido no Instituto de Artes da Uerj; Raúl Antelo e o livro Maria com Marcel – Duchamp nos trópicos; e Flora Süssekind com o texto-coral Objetos verbais não identificados estão entre as iniciativas abordadas.


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