[Livro em pré-venda – envio a partir de 6 de maio]
Há narrativas que parecem avançar em linha reta, conduzindo o leitor com segurança até um desfecho. Outras, porém, preferem insinuar, desviar, abrir frestas. É nesse território de incerteza que se inscrevem os contos deste livro, onde cada história opera como um campo de forças: entre o que se vê e o que se oculta, entre o que se diz e aquilo que resiste à nomeação.
As situações narradas partem, muitas vezes, de um dado reconhecível — uma conversa casual, um encontro fortuito, um episódio aparentemente banal —, mas logo se deixam contaminar por uma atmosfera de estranhamento. Aos poucos, o cotidiano se torna instável. Há sempre algo fora de lugar, uma fissura por onde irrompem o insólito, o desejo, a violência ou o inexplicável. E, quando o leitor percebe, já não está diante de uma história a ser decifrada, mas de uma experiência a ser atravessada.
Sem recorrer a efeitos fáceis, a escrita sustenta uma tensão contínua, apoiada na observação minuciosa dos gestos, das vozes e das zonas de silêncio que atravessam as relações humanas. Os finais, frequentemente abertos, recusam a tentação da resposta pronta: não encerram, antes prolongam. Como ecos, permanecem reverberando para além da leitura.
Se há algo que une esses contos, é a recusa em oferecer certezas. Em seu lugar, o livro propõe outra forma de aproximação: a de acompanhar personagens e situações até o limite do que pode ser compreendido — e, ali, aceitar a vertigem. Porque talvez seja justamente nesse ponto, onde o sentido falha ou se fragmenta, que a literatura encontra sua potência mais duradoura.


Timbres de um outono promissor
A praça do mercado
Outro (& outras) 
