É nas curvas e desvios da estrada que nasce a poesia andante de Luis Turiba. Entre Pernambuco, Brasília, Rio de Janeiro e tantas outras paisagens, o poeta transforma a multiplicidade de sons, amplifica a diversidade de vozes e incorpora na escrita a palheta de cores e sabores do nosso país. Na sua poética do trânsito, da confluência da divergência – como tão bem define Sylvia Cyntrão, Turiba desliza por estéticas e movimentos como o tropicalismo, o pós-concretismo, o barroco, o lírico, o simbolista, o marginal – fundindo, tal alquimista, estilos e formas em versos cheios de ritmo, originalidade e humor.
A poesia búlgara, a farofa e o dendê, as canções dos Beatles, a risada da pomba gira. A graça retilínea das girafas, a garota do parque; as bolas de gude, a sublime arritmia do amor – tudo é inspiração para estes Qtais. Escapando a rótulos e definições fáceis, a poesia de Turiba vibra na pluralidade, no carnaval de influências, tendências, experiências e expressões. Incorpora gírias e traços linguísticos, ecoa ritmos e gingas, exalta a amálgama de línguas e heranças – a afro, a lusa, a tupi. Nesse festim antropofágico, Zumbi, Pelé, Xuxa e Amarildo; Caetano, Machado e Saramago são serivdos com a mesma irreverência – o resultado é uma poética única, que faz ressoar a musicalidade e oralidade múltipla que caracterizam o Brasil.


O baixo contínuo no Brasil 1751-1851
Todo abismo é navegável a barquinhos de papel
Pelos poros
Grito em praça vazia
Nas frestas das fendas
Cinzas do século XX
Histórias do bom Deus
Estrada do Excelsior
Um francês nos trópicos
Pedaço de mim 

