Rambinho morreu
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[Livro em pré-venda – envio a partir de 20 de outubro]
Rambinho morreu. A notícia corre por Bonfim Paulista e, com ela, uma pergunta: quem matou Luiz, o rapaz que todos conheciam, que pedia dinheiro pelo centro, que descia à noite em direção ao rio e que acumulava afetos, desafetos e histórias?
A resposta parece estar em toda parte. No salão de Antônio Antunes, entre cortes de cabelo e teorias estapafúrdias; no bar de seu Divalproato e dona Bilastina; nas conversas de calçada, no petshop, nos canteiros de obra, nas casas antigas e nos condomínios que avançam sobre o distrito. Cada um sabe alguma coisa sobre Rambinho. Ou acredita saber. E, enquanto suspeitas se acumulam, o morto reaparece nas lembranças dos outros: namorado apaixonado, filho violento, sobrinho rebelde, dependente, vizinho, figura familiar de uma cidade que ainda se reconhece pelas ruas.
É desse movimento que Tiago Donoso faz nascer seu romance. A investigação do assassinato avança menos pela reunião ordenada de pistas do que pela circulação das vozes, pelas histórias que se contradizem e se contaminam. Aos poucos, a pergunta sobre quem matou Rambinho passa a revelar não apenas a vida daquele homem, mas a própria Bonfim — um lugar entre o rural e o urbano, entre um mundo que desaparece e outro que ainda não terminou de chegar.
Com humor, delicadeza e uma atenção particular ao sagrado que irrompe onde menos se espera, Rambinho morreu se aproxima do romance policial para deslocá-lo. Porque talvez haja crimes que uma cidade inteira possa contar sem conseguir explicar. E talvez seja justamente nesse intervalo – entre aquilo que se sabe, aquilo que se inventa e aquilo que jamais será inteiramente compreendido – que uma comunidade revele melhor quem é.
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Rambinho morreu. A notícia corre por Bonfim Paulista e, com ela, uma pergunta: quem matou Luiz, o rapaz que todos conheciam, que pedia dinheiro pelo centro, que descia à noite em direção ao rio e que acumulava afetos, desafetos e histórias?
A resposta parece estar em toda parte. No salão de Antônio Antunes, entre cortes de cabelo e teorias estapafúrdias; no bar de seu Divalproato e dona Bilastina; nas conversas de calçada, no petshop, nos canteiros de obra, nas casas antigas e nos condomínios que avançam sobre o distrito. Cada um sabe alguma coisa sobre Rambinho. Ou acredita saber. E, enquanto suspeitas se acumulam, o morto reaparece nas lembranças dos outros: namorado apaixonado, filho violento, sobrinho rebelde, dependente, vizinho, figura familiar de uma cidade que ainda se reconhece pelas ruas.
É desse movimento que Tiago Donoso faz nascer seu romance. A investigação do assassinato avança menos pela reunião ordenada de pistas do que pela circulação das vozes, pelas histórias que se contradizem e se contaminam. Aos poucos, a pergunta sobre quem matou Rambinho passa a revelar não apenas a vida daquele homem, mas a própria Bonfim — um lugar entre o rural e o urbano, entre um mundo que desaparece e outro que ainda não terminou de chegar.
Com humor, delicadeza e uma atenção particular ao sagrado que irrompe onde menos se espera, Rambinho morreu se aproxima do romance policial para deslocá-lo. Porque talvez haja crimes que uma cidade inteira possa contar sem conseguir explicar. E talvez seja justamente nesse intervalo – entre aquilo que se sabe, aquilo que se inventa e aquilo que jamais será inteiramente compreendido – que uma comunidade revele melhor quem é.
