No rearranjo das letras, a vida no divã; no rearranjo das palavras, surgem novos sentidos para a vida, os sonhos, o amor. A construção poética captura o brinquedo da língua e nos leva a lugares inesperados, a ideias diversas, a um sumaré de verdes de onde emergem vários desenhos, ao enigma da linguagem que vai além do real, abrindo novas possibilidades de entendimento, de experiência, de vivência, de criação: memória que se faz palavra / palavra que se faz memória / memória e palavra que se fazem poesia. Nesta sintaxe do amor, Celso Novaes compartilha conosco o gosto pela língua, pela palavra viva, por uma poesia de sabor quase lúdico, tanto na sua simplicidade aparente e na leveza da leitura quanto na profundeza dos temas que surgem entre as linhas, e que o poeta sabe explorar no som silencioso de uma escrita quase musical, que reverbera na mente ao longo e mesmo depois da leitura, com a graça de quem sabe fazer arte da maneira mais plena.


Tua carne verá a luz
Nenhum nome onde morar
Carona é uma coisa muito íntima
Placenta: estudos
O menor amor do mundo
Todo diálogo é possível
Estrada do Excelsior
Ciclopes e medusas
O mar que restou nos olhos
Poemas para morder a parede
Corvos contra a noite
Vento, vigília 

