A qualquer momento pode estourar, parece. Começo de baixo, vegetação, e devagar subo, os dedos caminham pelas laterais, arrepios. Sobem e descem, giram em torno do pequeno vão central. Chego ao cume, encosto o ouvido, assustado subo, e volto com a mão. Caminho inverso, circular. Esticada, suspira e sorri, a dona da montanha passa a mão pelo meu rosto e diz e sua, e chora. Soluça e gargalha, vibra. Essa hora para sempre. Depois beijo a pele e fico ouvindo por trinta minutos, cafuné gostoso, cortina fechada, sono.


Nenhum nome onde morar
Cadernos de alguma poesia
Grito em praça vazia
A paixão mortal de Paulo
Danação
Corvos contra a noite
Murmúrios
Pulvis
O mar que restou nos olhos
Ciclopes e medusas
Todo abismo é navegável a barquinhos de papel
Reversor
Vento, vigília
Mulheres de moto pelo mundo
Como impressionar sem fazer esforço
Campos de Carvalho contra a Lógica
Culturas e imaginários
O mais sutil é a queda
A canção do vendedor de pipocas
Terapia de regressão
Terno novo
A ordem interior do mundo
Anatomia de uma perda
O desejo de esquecer
Ficções purificadoras e atrozes
Quase música 

