Memórias, reações à reclusão e arte se misturam nos poemas de Trama. Composto por três seções: Álbum, Pausa e Mexilhões, o livro traz sentimentos líquidos, frutos de um longo período de isolamento. Em Álbum, lembranças desordenadas, refletidas em imagens da infância, viagens e relações familiares vêm à tona. Pausa mostra o efeito do tempo de reclusão, que gera diálogos do autor consigo mesmo, cheios de elementos fantásticos e loucura: “não abrir as janelas atormentava a chuva / forte abrigo na soleira das portas trancava as margens / dos rios que desapareciam sem mais fronteiras nas cercanias / de plantas caídas ao som do estampido abafado (…)”. Tudo deságua na arte e no cotidiano de Mexilhões. A convivência com os filhos, a atividade da escrita, filmes, livros e personagens aleatórios ganham espaço e recebem homenagens nos poemas. No texto que dá nome à seção, a fala de um filho inspira a escrita: “O oceano é infinito / mexilhões de peixes / cardumes inteiros”. Entre a infância e as espaçonaves que viajam pelas galáxias distantes, entre o rio da vida e os sapatos de culpa que se anunciam no meio da terapia, entre o peso e a leveza das embarcações, os seres submersos que emergem trazendo novos significantes e significados, e ainda com tudo que será retratado em preto e branco no seu próximo livro, o poeta tece esta trama que nos envolve por completo: em todos os sentidos.


Maratona de Nova York
Cidade sportiva (2)
Rita
História de vocês
Translinguismo e poéticas do contemporâneo
Estrada do Excelsior
O que faço é música
O menor amor do mundo
Pulvis
O vento gira em torno de si
Todo mundo é louco?
Chute
Pedaço de mim
Corvos contra a noite
Dois campos em (des)enlaces
Sexo, drogas e tralala
Discurso e…
Todo abismo é navegável a barquinhos de papel
Olha, os agapantos estão voltando!
A herdeira [Washington Square]
A memória é uma boneca russa
Mulheres de moto pelo mundo
Didática 

