Joana Biondi nos conduz por uma trilha de palavras que parecem escorregar pelas mãos, mas que deixam marcas profundas – como uma dança fluida entre o corpo e a mente, entre o toque da pele e o vento das ideias, num jogo de tensões entre o desejo e a dor, entre o toque e o afastamento, entre o amor e a perda. É uma escrita que não tem medo de atravessar, de se arriscar a perder-se, para nos mostrar o que realmente pulsa por baixo da superfície. Há uma certa ferocidade contida em cada verso, algo que toca em feridas de tempos passados e presentes, mas sem nunca deixar de lado a suavidade do olhar que sabe se despedir e recomeçar. O corpo que sangra e cura, o silêncio que grita e se cala, a palavra que se recusa a ser apenas palavra – demonstrando como a língua pode ser cruel e, ainda assim, acariciar tudo que pulsa e sangra. As imagens do livro fulguram e apresentam uma estrutura vertiginosa, como o próprio título insinua, na qual tudo está à beira de ruir no próximo instante. Mas há um corpo nada frágil que suporta a queda e as ferroadas, transfigurando-as numa poética vigorosa e de rara sensibilidade.


Antologia poética
Pulvis
Numa nada dada situação
Rita
A invenção do amor
O autista e seus objetos
O tempo amansa / a gente
Discurso e…
Raízes partidas
Nas frestas das fendas
O assassinato da rosa
O vento gira em torno de si
O mar que restou nos olhos
Da capo al fine
O menor amor do mundo
A paixão mortal de Paulo
Poesia reunida
Até segunda ordem não me risque nada
Max Martins em colóquio
Dois campos em (des)enlaces
No limite da palavra
Com Ferenczi
Durante
Tartamudo 

