Horror e repúdio ao feminino

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Uma leitura ética do “não saber”

O livro de Gabrielle Brígido é uma valiosa pesquisa histórica e psicanalítica que analisa as causas de repúdio, horror e violência contra o feminino.
O feminino não é exclusividade da mulher, no entanto, as mulheres são suas figuras mais tradicionais. Assim, a autora apresenta o lugar dado às mulheres na história e tece, com muita clareza, a construção teórica da psicanálise a esse respeito.
Retomar esse percurso é de fundamental importância porque, embora o lugar tradicionalmente inferiorizado das mulheres venha sendo questionado e alguns avanços alcançados, infelizmente, na contemporaneidade, o repúdio, o horror e a violência contra a mulher e outras figuras do feminino, tem escalado assustadoramente. Isso demonstra como a sociedade atual ainda fracassa muito em aceitar o mistério do feminino.
Na abordagem ética da psicanálise duas frases reconhecem esse mistério: Freud pergunta “o que quer uma mulher?” e Lacan afirma “A mulher não existe” no sentido de que algo nela não se define completamente.
Nessa via, a autora discorre como Freud e Lacan se debruçaram sobre o feminino para pensá-lo como o que escapa à regulação fálica da pulsão propiciada pela linguagem dominante. Assim, a clássica diferença de gênero não é, para a psicanálise, o paradigma de diferença sexual. Com Lacan, a autora destaca que esta diferença se dá entre o ‘fálico’ e o ‘não todo fálico’, reservando o termo ‘feminino’ para indicar o que escapa à rede significante e resta como ‘não saber’.
Alguns aspectos são exemplares de “não saber” – o sexo, a vida e a morte – uma vez que não têm definições exatas e inequívocas. Mas podem ser abordados por uma ética que consinta com um furo no saber.  Os discursos dominantes, ao contrário, tendem a impor seu saber presumidamente completo e único. Diante dessa força, a presença enigmática e angustiante do feminino pode facilmente ser alvo de ódio e violência. Um ataque ao que não se sabe.
Abordando o feminino pela via ética da psicanálise, na contramão dos discursos que se propõem a saber tudo, o próprio livro dá um exemplo de como se pode criar a partir do ‘não saber’ feminino, tomando-o como um vazio, condição lógica anterior e fértil para se engendrar algo novo.

Heloisa Caldas

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