O rastro da onça – 2a edição

Relações entre humanos e animais no Pantanal

O preço original era: R$84,00.O preço atual é: R$68,00. R$64,60 no PIX

Em estoque

REF: 9786559059751 Categoria:

[Livro em pré-venda – envio a partir de 5 de março]

Considere o leitor a tapeçaria de inscrições e imagens na capa de O rastro da onça. Ela mesma é um dos muitos nós da rede sociotécnica descrita magistralmente no livro de Felipe Süssekind. Capa-mapa que é um multissigno: um ícone dos rastros, laços, contextos, eventos e atores envolvidos por essa rede; e também um índice dos agenciamentos semiótico-materiais que articulam diferentes humanos, animais e dispositivos técnicos em torno de uma figura central — um personagem que quanto menos se dá a ver, mais parece estar sempre à espreita: a onça pantaneira. Caçadora caçada, rastreadora rastreada, ameaçadora e ameaçada, inimiga e atração turística, problema e estrela. A bela fera.

O rastro da onça é um estudo exemplar, metodologicamente perfeito e retoricamente envolvente, das potencialidades da chamada “etnografia multiespécies”, gênero na interseção entre a antropologia social, a história ambiental, a biologia e os estudos de ciência e tecnologia. Ele nos permite perceber, entre outras coisas, que o “multi-” dessa etnografia é, de fato, sempre mais de dois. Os humanos e as onças — os dois atores polares do livro — estão conectados por diversas espécies: o gado, em primeiro lugar, eixo da relação polêmica entre onças e humanos; e os cães de caça, os cavalos, os urubus, os porcos-monteiros… Nenhuma das espécies principais, por sua vez, é etnograficamente una. Os humanos são fazendeiros, peões, caçadores indígenas e estrangeiros, biólogos, turistas — e antropólogos. O gado se divide em branco e pantaneiro, manso e bagual, e muitas outras categorias. Os cães, conforme suas diversas habilidades no rastreamento e captura das onças; as onças, em subtipos das pintadas e das pardas, e em indivíduos com suas singularidades; e assim por diante. A relação de predação onça-gado é administrada pelos humanos através de dois agenciamentos humano-animal-instrumento: o vaqueiro, seu cavalo e o laço (relação humano-gado); o caçador, seus cães e a zagaia ou espingarda (relação humano-onça). Com a entrada em cena da figura do biólogo, as armas passam a atirar flechas anestésicas, e os cães se combinam com as coleiras-rádio e as armadilhas fotográficas. Rastreamento, espreita, captura.

Esta é uma etnografia de signos, uma semiografia do “mundo da onça”. Rastros e vestígios, imagens e odores, latidos e esturros; marcas do gado, coleiras das onças, voo dos urubus apontando onde a carniça. É também uma etnografia do olhar: o ver e ser visto (o trato do gado), o ver sem ser visto (a onça de tocaia), e o ser visto sem ver (as presas da onça). A questão do olhar do animal, que abre O rastro da onça por via de uma citação de John Berger, é um tema que atravessa o livro — o “ponto de vista da onça”, o olhar felino de cenas famosas na filosofia, como os gatos de Derrida e de Lévi-Strauss, a gata de Montaigne… Reciprocidade de perspectivas. E variação de perspectiva, pois, como disse o célebre onceiro de Guimarães Rosa, a onça está sempre “virando outra”. A onça é muitas: a do fazendeiro, a do caçador, a do cientista, a do Guató, a do gado. Aquela que nos olha.

Eduardo Viveiros de Castro

Número de Páginas

Ano

Formato

Edição

Selo

Autores

O rastro da onça – 2a edição
PRÉ-VENDA
O rastro da onça – 2a edição

Em estoque

Este site usa cookies para lhe oferecer uma melhor experiência de navegação. Ao navegar neste site, você concorda com o uso de cookies.
Mais Info