Este A guerra da água encerra a série Livros de guerra, um jogo entre a novela As mãos, as pequenas narrativas de Jogo de varetas e a reunião entre o poema e o cinema de Geografia aérea. A série se desequilibra em torno do que vem da máquina, do dinheiro, da lei e da violência obtusa do poder, qualquer poder. Manoel repete Pasolini: o poder é um só. Tudo o que imagina escrever é movediço, pantanoso, oscilante, tenso e se imprime numa força imanente, política, para muito além e aquém da literatura, do livro. A linguagem das coisas é sempre equívoca e se embrenha de um livro a outro, logo não há pertença, hierarquia ou monumentalidade. A ideia de livro se desampara: entulhar às avessas. […] Um personagem, Oito, este infinito vertical, retorna ou parte e se fixa ou se decompõe e encontra [encontra?] 12 pequenos seres [crianças?] numa ausência de fronteira ou território, estes aspectos de controle, para inscrever um estranho deliberado à existência no mundo que acabou ou que ainda não é porque se baniu dele a estranheza. Imediatamente se poderia ler este A guerra da água como uma distopia, mas seria muito ordinário e simplório; o que vem é exatamente o contrário: desejo de liberdade, memória múltipla, humanidade redimida, utopia irremediável. O mais bonito e forte do trabalho do Manoel é essa luta ética, como se lia antes, uma doutrina da felicidade, porque sabe que escrever não tem importância alguma e que fazer livros e nada dá no mesmo. Uma insistência com Anaximandro: a Terra flutua no nada; e com Kenzo Awa: disparar a flecha sem alvo, deixar-se viver. [Carlos Augusto Lima]


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