Se por um lado este livro é construído a partir de uma perda, uma ausência, por outro esta mesma ausência adquire uma presença marcante, indelével, enquanto o personagem de olhos de jabuticaba vai ganhando vida aos nossos olhos. Cada poema de Campo de pouso nos traz esse pai, esse avô, às vezes visto pelo olhar de uma memória de criança, às vezes pelo adulto que compartilha com ele, e conosco, esse legado: “não posso me distrair / enquanto meu futuro é traçado / a giz na calçada” – e nessa escrita fugaz do destino, à mercê dos ventos e da chuva, encontramos a chave da fragilidade humana que ecoa nestas páginas. As rotas de um voo incerto, a urgência de um meteoro, o mergulho da concha e os sons, as cores e os sabores das diferentes estações, das plantas e das flores, estão presentes aqui como numa conversa íntima entre pai e filho, marcada pela saudade. Até que chega o Sudoeste, poema-narrativa de uma partida. E agora “Quem ensinará os meninos / a voar?”
Nesta verdadeira carta de amor ao pai, nas eternidades gravadas na memória, Eric Pestre afirma uma escrita de rara sensibilidade, espelhando com arte as lições e aprendizagens que ficam para todos os filhos, para seguirmos em frente sempre com a presença forte também daqueles que perdemos.


Balada de uma retina sul-americana
Arquitetura do sim
O baixo contínuo no Brasil 1751-1851
Um Flamengo grande, um Brasil maior
Diálogos e trilhas em memória social
Saturno translada
A casa invisível 

