Na fronteira entre a poesia e a prosa, entre e realidade e o sonho, os microcontos de Samarone Marinho apresentam, com extrema concisão e certa ironia resiliente, os múltiplos sentidos incorporados pela vida diária. Entre o diálogo arqueológico, o geográfico, o aritmético e o mnemônico, e para além do diálogo dos pássaros, das baratas ou dos ratos, o verdadeiro diálogo que se estabelece aqui é com o leitor, que se torna também inventor e coautor de cada minitexto, pois o que se esconde em cada entrelinha é também o que se revela na imaginação de cada um. A passagem do tempo, o silêncio do não dito, as pequenas sutilezas dos relacionamentos – às vezes basta uma frase, uma resposta, uma pergunta, uma elipse, um título que modula a leitura, para conter ou contar uma história. É nessa concisão extremamente depurada que Samarone constrói a sua arte mais que poética. Seus contos mínimos vêm acompanhados, neste volume, dos Ensaios da lentidão, formas híbridas de ensaística e ficção ao exame dos conteúdos de um cotidiano que ainda se mostra rico em diversidade e espanto.


O tesouro de Sierra Madre
Todo abismo é navegável a barquinhos de papel
Conhecimento escolar e ensino de sociologia
Vento, vigília
Estrada do Excelsior
Galeria
Dicionário dos refugiados do nazifascismo no Brasil
No domínio de Suã
Vigário Geral
Estou viva
Uma escola de luta
Poemas para morder a parede
Gênese, gesto
Murmúrios 

