Encomendaram um plano

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Há algo de assombroso, irresistível, em personagens que habitam o imaginário. As oito figuras enredadas na trama pynchonesca de Ricardo Bernhard, às voltas com a resolução de um enigma proposto por uma espécie de entidade conhecida apenas como Presidência, são todas guiadas por uma paranoia à qual parecem se entregar de bom grado, com dedicação, em busca da aprovação de uma amorfa figura de poder. Há, do começo ao fim deste romance de ideias, um pulsante – e convidativo – estranhamento.

Às descrições práticas de um narrador pouco confiável, que transita entre o pragmatismo de sua função e o deboche, combinam-se variados pontos de vista. Os olhares plurais são assumidos pelas cobaias (Benjamin, Valentina, Nicholas, Sara, Oliver, Esther, Abigail e Sidney), em diferentes momentos do texto, o que gera um belo efeito Vertigo: a realidade ficcional, erigida em uma mansão, é constantemente distorcida. Ao leitor, resta chafurdar na aporia, nonada, como se preso em um pesadelo beckettiano.

Nada é gratuito. Existe um equilíbrio meticuloso na hora de construir a aura da narrativa, muito afeita à melancolia, aos não ditos e à violência – que cresce vertiginosamente, aliás, conforme dramas pessoais são revelados. A visão do outro desencadeia o inferno pessoal de um, e o inferno pessoal de um interfere na visão do outro. A posição existencialista de Sartre, exposta com maestria na peça Entre quatro paredes, é revisitada com frescor pelo experiente prosador carioca.

É até possível interpretar o livro por uma chave social, como se oito profissionais de áreas distintas fossem reféns de uma ideia (do tipo 1984, meio distópica), mas a graça da coisa não está aí. O tragicômico da construção, cujos pilares são um coreógrafo, uma joalheira, um programador, uma bióloga, um juiz de cadeira de tênis, uma psicóloga, uma historiadora e um diretor de cinema, mora justamente no fato de que, não importa o que você faz, o labirinto mental é o mesmo. E o que é mais trágico: estar preso ou não enxergar a saída?

João Lucas Dusi

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