“Europa” mantém o estilo curto e seco, a escrita ligeira, ritmada e às vezes rimada, que homenageia Leminsky, Bashô, Duchamp e Manoel de Barros – a escrita portátil e o inutensílio, como Vila-Matas pretendia. Um quase-Haikai. Densidade superficial; nas entrelinhas e no silêncio da pausa é que se fala o que se tem a dizer. Em “europa”, o mito vale mais que o continente. O signo do Touro faz referência à religião Mitraica, que marcou regiões de Pérsia a Creta, visível na cultura romana e até nas touradas de Madri. Lá valoriza-se o sacrifício, o tornar sagrado (sacer facere), indolor e prazeroso (a entrega) versus o martírio testemunhal, onde a dor é a prova. Uma leitura divertida, onde o humor e a ironia não faltam.


Pedaço de mim
O desejo de esquecer
As artes do entusiasmo
Estrada do Excelsior
Todo abismo é navegável a barquinhos de papel
Cara de cavalo
A ordem interior do mundo
Mulheres de moto pelo mundo
Nenhum nome onde morar
Grito em praça vazia
Dois campos em (des)enlaces
Dicionário dos refugiados do nazifascismo no Brasil
Vera Ballroom
Numa nada dada situação
Reversor
Poemas para morder a parede 

