Lago turvo

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[Livro em pré-venda – envio a partir de 7 de novembro]

Há, em Lago turvo, um mundo que parece obedecer a regras próprias. Nele existem É, Ifo e Áres; existem alguém, ninguém e outros; existem corpos que se dividem, se misturam, perdem partes, recebem partes. Há fronteiras, deslocamentos, proibições. E há uma língua que, para contar tudo isso, também precisa inventar suas próprias formas. Alvaro Mendes constrói o romance aos poucos, sem oferecer ao leitor um mapa seguro. É preciso entrar nesse território e aprender a reconhecê-lo enquanto se avança. O estranhamento não é ornamento: pertence à própria matéria do livro. Quem narra tampouco observa de fora. Está implicado nesse mundo, sujeito às suas leis, aos seus encontros e transformações. Por isso, aquilo que poderia se apresentar como uma alegoria fechada permanece móvel. Lago turvo fala de identidade e pertencimento, mas também da violência exercida sobre os corpos; fala da vontade de distinguir o eu do outro e da impossibilidade de manter essa fronteira intacta. Alguém pode tornar-se ninguém. O outro pode carregar alguma coisa de nós.

É nesse movimento que o fantástico encontra uma dimensão política e, ao mesmo tempo, íntima. O corpo torna-se território: pode ser repartido, disciplinado, desejado, recusado. E a linguagem acompanha suas metamorfoses, como se também ela precisasse perder a forma conhecida para alcançar aquilo que o romance quer narrar. O lago do título participa dessa incerteza. Sua água não devolve uma imagem límpida. É preciso olhar para o que se move sob a superfície –
e aceitar que nem tudo será inteiramente revelado.

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Em estoque

ISBN: 9788542109160
Sinopse

[Livro em pré-venda – envio a partir de 7 de novembro]

Há, em Lago turvo, um mundo que parece obedecer a regras próprias. Nele existem É, Ifo e Áres; existem alguém, ninguém e outros; existem corpos que se dividem, se misturam, perdem partes, recebem partes. Há fronteiras, deslocamentos, proibições. E há uma língua que, para contar tudo isso, também precisa inventar suas próprias formas. Alvaro Mendes constrói o romance aos poucos, sem oferecer ao leitor um mapa seguro. É preciso entrar nesse território e aprender a reconhecê-lo enquanto se avança. O estranhamento não é ornamento: pertence à própria matéria do livro. Quem narra tampouco observa de fora. Está implicado nesse mundo, sujeito às suas leis, aos seus encontros e transformações. Por isso, aquilo que poderia se apresentar como uma alegoria fechada permanece móvel. Lago turvo fala de identidade e pertencimento, mas também da violência exercida sobre os corpos; fala da vontade de distinguir o eu do outro e da impossibilidade de manter essa fronteira intacta. Alguém pode tornar-se ninguém. O outro pode carregar alguma coisa de nós.

É nesse movimento que o fantástico encontra uma dimensão política e, ao mesmo tempo, íntima. O corpo torna-se território: pode ser repartido, disciplinado, desejado, recusado. E a linguagem acompanha suas metamorfoses, como se também ela precisasse perder a forma conhecida para alcançar aquilo que o romance quer narrar. O lago do título participa dessa incerteza. Sua água não devolve uma imagem límpida. É preciso olhar para o que se move sob a superfície –
e aceitar que nem tudo será inteiramente revelado.