O novo livro de Eduardo Júlio chega distraído, como uma garrafa lançada ao oceano. Sem hesitar, o poeta nos revela seu desamparo, uma maneira válida de se localizar no mundo. Mundo que se apresenta a partir de uma memória onírica, de formas etéreas, uma paisagem em ebulição. Observar o poente e deixá-lo escapar. Escrever poesia como uma tentativa/ de tocar ou desvendar/ o silêncio. Parece que o autor busca alcançar o cenário idílico de uma cidade, o que poderia ser um devaneio, se não fosse pela materialidade inevitável que, vez ou outra, assume lugar no texto. Sapatos na janela são um bilhete de despedida, um recado da finitude. Nesta obra, o desaparecimento e a irredutibilidade do tempo são expostos delicadamente para o leitor. O peso e a leveza oscilam nas páginas, entre maré mansa e maré cheia. Podemos ler como quem desperta de um sonho secreto, em que o céu pode desmoronar nos próximos instantes.
Catarina Costa


Tua carne verá a luz
Mozart em ritmo de samba
Numa nada dada situação
Corpo em combate, cenas de uma vida
A gymnastica no tempo do Império
Antologia poética
A memória é uma boneca russa
Quando estava indo embora
Balaio
Leitura e formação do leitor
Cadernos de alguma poesia
Todo abismo é navegável a barquinhos de papel
Poesia reunida
Pedaço de mim
Grito em praça vazia
Hakim, o geômetra e suas aventuras
O morse desse corpo
O assassinato da rosa
O mar que restou nos olhos 

