Margaret Atwood, autora do best-seller distópico O conto da aia, arrumou uma quizumba com seus próprios leitores e fãs, ao declarar que o que escreve não é ficção científica: “sci-fi é cheia de marcianos e viagens espaciais a outros planetas; o que faço é ficção especulativa”. Bem, aqui vai um pequeno spoiler: neste “Nós e os outros”, de Fernando Paiva, encontramos naves cruzando o espaço sideral. E robôs sencientes e outras tecnologias (ainda) inexistentes. Mas encontramos também experimentos de outra ordem: um reino governado por idosos, uma cidade fundada por jovens (seriam um par?). Um mundo em que o casamento é proibido por lei, outro assolado por uma pandemia que força as pessoas a viverem isoladas — este, escrito bem antes de 2020, nos leva a perguntar: são mesmo tão distantes do nosso, os mundos a que a imaginação de Fernando nos transporta?
Eu diria que não, por um motivo: mais do que invenções mirabolantes ou realidades paralelas, nos contos de Fernando encontramos pessoas, seres humanos (mesmo quando não parecem); acompanhamos seus esforços para lidar com, compreender e transformar a Terra em que lhes foi dado existir, por mais estranha — ou familiar — que nos pareça. É essa humanidade, o traço que nos torna humanos, o que Fernando Paiva investiga neste livro e, arrisco dizer, em toda a sua já vasta obra, que inclui dois outros livros de contos, uma novela fantástica, um romance farsesco, um livro infantil e algumas dezenas de canções indie-pop-dadaístas.
É inegável: Fernando gosta da gente — mesmo que sejamos uma praga. Em tudo o que cria, além de sua inventividade surpreendente e humor sem afetação, há sempre uma grande ternura para com seus personagens, mesmo os mais terríveis. Que a leitura destes contos possa nos divertir, emocionar e, sobretudo, nos permita enxergar a nós e os outros com a mesma curiosidade generosa de seu autor. [Dimitri BR]


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