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O sexo dos Modernos
Pensamento do Neutro e teoria do gênero
R$119,00 O preço original era: R$119,00.R$95,00O preço atual é: R$95,00.
Em O sexo dos Modernos. Pensamento do Neutro e teoria do gênero, Éric Marty empreende uma investigação original sobre aquele que é um dos debates mais decisivos do pensamento contemporâneo: o estatuto do sexo e do gênero, bem como suas linguagens teóricas. Situada na encruzilhada entre filosofia, psicanálise, teoria literária e história das ideias, a obra reconstitui a genealogia conceitual que possibilitou o triunfo global da noção de gender, submetendo-o a um exame rigoroso e crítico.
Por um lado, o autor disseca com agudeza uma grande constelação intelectual do século XX, entre os quais Barthes, Lacan, Derrida, Deleuze, Foucault, e demonstra que foi ela que inegavelmente preparou o terreno teórico para sua emergência; de outro, mostra como a apropriação norte-americana dessa herança foi realizada por meio de simplificações e deslocamentos surpreendentes e, mais do que isso, abusivos. Numa sofisticada arqueologia conceitual que acompanha a circulação transatlântica de termos, categorias e paradigmas, Marty revela as perdas inerentes às distorções e reinterpretações estratégicas dessas transferências teóricas.
A distinção fundamental que estrutura toda a obra é a oposição entre o pensamento do Neutro, elaborado pela modernidade francesa, e a teoria do gênero desenvolvida sobretudo no contexto anglo-americano. Por não constituir uma identidade, mas consistir num operador conceitual que suspende as oposições binárias e introduz um vazio estrutural na linguagem e no sentido, o Neutro é, para Marty, o fulcro decisivo da diferença em relação ao gender. Este, ao contrário, tende a proliferar denominações, multiplicar classificações e ampliar indefinidamente o espectro das identidades. Essa diferença revela dois regimes de pensamento heterogêneos: um fundado na ordem simbólica e na estrutura da linguagem; outro, na pragmática social e na dinâmica das normas.
É nesse ponto que Marty concentra a crítica à obra de Judith Butler. Reconhecendo a centralidade da filósofa norte-americana na consolidação contemporânea da gender theory, dedica-lhe uma leitura minuciosa e acompanha passo a passo seus empréstimos conceituais, traduções culturais e estratégias argumentativas. Para ele, Butler opera uma reconfiguração problemática da tradição teórica europeia ao reinterpretá-la em chave sociológica e pragmática, deslocando conceitos originalmente ligados à ordem simbólica para o campo das interações sociais e das políticas identitárias. O resultado é uma transformação profunda do sentido desses conceitos, que passam a funcionar como instrumentos normativos e não mais como operadores críticos de desestabilização.
Escrito com notável erudição, O sexo dos Modernos é uma história intelectual, um ensaio filosófico e uma intervenção crítica indispensável no debate contemporâneo. Por meio de um levantamento das etapas históricas e das mudanças teóricas que desembocaram na recepção atual da teoria de gênero, Éric Marty questiona uma tradição construída em torno de pares conceituais como masculino/feminino, ativo/passivo, singular/plural, e desmascara as tendências ideológicas e os cenários autoritários alimentados pelos estudos de gênero, no momento em que estes abdicam de sua vocação emancipadora original. Não à toa, ele parte da afirmação peremptória de que “o gênero (gender) é a última grande mensagem ideológica do Ocidente enviada ao resto do mundo” e culmina na interpretação do debate em torno das figuras do(a) hermafrodita e do trans, onde vê emergir o espectro persistente do “verdadeiro sexo” — questão que, longe de ter sido superada, retorna com força renovada no presente.
Marco Antonio Coutinho Jorge
| 524 | |
| 2026 | |
| 15,5x23cm | |
| 7Letras | |
| Coleção | Planeta Freud |
Em estoque
Em O sexo dos Modernos. Pensamento do Neutro e teoria do gênero, Éric Marty empreende uma investigação original sobre aquele que é um dos debates mais decisivos do pensamento contemporâneo: o estatuto do sexo e do gênero, bem como suas linguagens teóricas. Situada na encruzilhada entre filosofia, psicanálise, teoria literária e história das ideias, a obra reconstitui a genealogia conceitual que possibilitou o triunfo global da noção de gender, submetendo-o a um exame rigoroso e crítico.
Por um lado, o autor disseca com agudeza uma grande constelação intelectual do século XX, entre os quais Barthes, Lacan, Derrida, Deleuze, Foucault, e demonstra que foi ela que inegavelmente preparou o terreno teórico para sua emergência; de outro, mostra como a apropriação norte-americana dessa herança foi realizada por meio de simplificações e deslocamentos surpreendentes e, mais do que isso, abusivos. Numa sofisticada arqueologia conceitual que acompanha a circulação transatlântica de termos, categorias e paradigmas, Marty revela as perdas inerentes às distorções e reinterpretações estratégicas dessas transferências teóricas.
A distinção fundamental que estrutura toda a obra é a oposição entre o pensamento do Neutro, elaborado pela modernidade francesa, e a teoria do gênero desenvolvida sobretudo no contexto anglo-americano. Por não constituir uma identidade, mas consistir num operador conceitual que suspende as oposições binárias e introduz um vazio estrutural na linguagem e no sentido, o Neutro é, para Marty, o fulcro decisivo da diferença em relação ao gender. Este, ao contrário, tende a proliferar denominações, multiplicar classificações e ampliar indefinidamente o espectro das identidades. Essa diferença revela dois regimes de pensamento heterogêneos: um fundado na ordem simbólica e na estrutura da linguagem; outro, na pragmática social e na dinâmica das normas.
É nesse ponto que Marty concentra a crítica à obra de Judith Butler. Reconhecendo a centralidade da filósofa norte-americana na consolidação contemporânea da gender theory, dedica-lhe uma leitura minuciosa e acompanha passo a passo seus empréstimos conceituais, traduções culturais e estratégias argumentativas. Para ele, Butler opera uma reconfiguração problemática da tradição teórica europeia ao reinterpretá-la em chave sociológica e pragmática, deslocando conceitos originalmente ligados à ordem simbólica para o campo das interações sociais e das políticas identitárias. O resultado é uma transformação profunda do sentido desses conceitos, que passam a funcionar como instrumentos normativos e não mais como operadores críticos de desestabilização.
Escrito com notável erudição, O sexo dos Modernos é uma história intelectual, um ensaio filosófico e uma intervenção crítica indispensável no debate contemporâneo. Por meio de um levantamento das etapas históricas e das mudanças teóricas que desembocaram na recepção atual da teoria de gênero, Éric Marty questiona uma tradição construída em torno de pares conceituais como masculino/feminino, ativo/passivo, singular/plural, e desmascara as tendências ideológicas e os cenários autoritários alimentados pelos estudos de gênero, no momento em que estes abdicam de sua vocação emancipadora original. Não à toa, ele parte da afirmação peremptória de que “o gênero (gender) é a última grande mensagem ideológica do Ocidente enviada ao resto do mundo” e culmina na interpretação do debate em torno das figuras do(a) hermafrodita e do trans, onde vê emergir o espectro persistente do “verdadeiro sexo” — questão que, longe de ter sido superada, retorna com força renovada no presente.
Marco Antonio Coutinho Jorge
