Em seu livro de estreia, Édipo Ferreira lida com os versos como se o necrotério fosse a fonte dos seus poemas. Caminhar entre os mortos, chorar por eles. Invisível, mesclar a pele como um fantasma. A cada segundo os hospitais preenchem obituários e, por ínfimos milésimos de segundos, a quantidade de mortos dispara à frente do choro de um bebê em alguma parte do planeta. O livro Ossário endurece o leitor assim, como um corpo que vai calcificando os ossos. Enquanto as guerras matam centenas e estranhos cavam as covas de desconhecidos, o poeta enterra o seu morto. Tomamos consciência de um corpo que não tem mais corpo, mas ainda tem voz, sabor, língua em estado de putrefação.
Nesta obra, o autor nos convoca a um mundo no qual somos ensinados a relegar. Viver o luto como uma manifestação daquilo que ainda germina. Sendo que, a cada página, as referências a partir das quais o autor escreveu o livro se concretizam na mais complexa função cerebral do organismo humano: a memória. Em alguma lápide, retornaremos, nesse desejo de materializar a História.


Contos estranhos
No domínio de Suã
Esquina da minha rua
Quase música
O tempo amansa / a gente
Territórios socioambientais em construção na Amazônia brasileira
Numa nada dada situação
A ordem interior do mundo
Estou viva
O morse desse corpo
O vento gira em torno de si
Placenta: estudos
Carona é uma coisa muito íntima
Reversor
Cara de cavalo
Sonatas: memórias do Marquês de Bradomín
Eu, Jeremias
Rita
O mais sutil é a queda
Murmúrios
Vento, vigília
Shazam!
Para pensar
Motus perpetuo
Corvos contra a noite 

