É como se fosse um acidente. É como se fossem duas pessoas dançando bem ali, no meio do acidente. Os pés descalços, porque se perderam os sapatos, pisando os cacos de vidro espalhados no asfalto, sangrando no asfalto e um pouco aqui, também, nessas páginas. Poesia escrita a quatro mãos e não sei quantos corações, quantos pulmões, com todas as vísceras desse mundo. Davi e Luiza dançam juntos porque sabem dançar, guiam as palavras como se guiassem um velho cego pelos mesmos destroços todos os dias.
A gente vai junto, com medo do acidente, com medo dos entorpecentes todos ali, com medo de umas imagens que doem, que incomodam, que acordam nervos que a gente nem sabia que tinha. Mas a gente vai, em todas as páginas dessa valsa estranha e bonita, porque Davi e Luiza nos convidam obsessivamente e quem seríamos nós para não aceitar um convite desses dois?
Esse livro é um acidente, um inventário completo de imagens e sensações, cada uma e todas as palavras metidas no exato lugar em que deviam estar. Deslocados ficam os nossos sentidos. Mas a essa altura, quem se importa?
[Marcela Dantés]


Trama
Corvos contra a noite
O mar que restou nos olhos
Parados e peripatéticos
Numa nada dada situação
A tulipa azul do sonho
Tartamudo
Mulheres de moto pelo mundo
Carona é uma coisa muito íntima
Ciclopes e medusas
O que pode dar certo
A filosofia natural e experimental na Inglaterra do século XVIII
Olha, os agapantos estão voltando!
Diálogos possíveis
Caminhos do hispanismo
Max Martins em colóquio
Campos de Carvalho contra a Lógica
Camilo Castelo Branco e Machado de Assis em diálogo
Sodoma
Ficção e travessias
O vento gira em torno de si
O autista e seus objetos
A tradição viva em cena
Teatro e comicidades: Estudos sobre Ariano Suassuna e outros ensaios
IV Encontro Luso-Brasileiro de Museus Casas
A casa invisível
Governo Vargas: questões regionais e relações interamericanas
Quando a rua me chama
Estou viva 

