Quarto Escuro
O detetive avança pela desordem do estúdio.
A mobília está calada como testemunha.
Lá fora folhas se reviram, se estudam.
O telefone calado como um caramujo.
Um ano depois e todas as pistas
Deram em becos sem saída e luto.
“Nada disso está acontecendo, escuto
meus próprios passos sobre o escuro.
Dois gatos negros transando num muro”.
E o criminoso ali perto,
pronto para revelar tudo.
E na pequena floresta da biblioteca
O verde é um código secreto.
O detetive deita e cai num sono profundo.
E a carta o tempo todo sobre o criado-mudo.


Tradução, arquivos, políticas
Um golpe de flor azul
Tudo intacto até o próximo segundo
Grito em praça vazia
Linhagens performáticas na literatura brasileira contemporânea
Antologia poética
Um rojão atado à memória
O mar que restou nos olhos
Nunca seremos tão felizes como agora
A era do sono
Numa nada dada situação
Inverso
Ossos da palavra
O fim do Brasil
Nenhum nome onde morar
Crítica de poesia
Relatos de viajantes alemães no Brasil oitocentista
Todo abismo é navegável a barquinhos de papel
O assassinato da rosa 

