[Livro em pré-venda – envio a partir de 15 de junho]
Em O amor que fica, Jairo Carmo constrói um romance de retorno — não apenas a um lugar, mas às zonas mais instáveis da memória. Quando Francisca desembarca em Miradouro, cidade imaginária encravada na Amazônia paraense, o que parecia uma simples viagem transforma-se numa lenta descida às histórias de sua família, aos afetos interrompidos e às escolhas que o tempo não dissolveu.
Cercada pela paisagem dos rios amazônicos, por antigas amizades, diários secretos, lembranças políticas e amores mal cicatrizados, Francisca tenta compreender aquilo que ficou suspenso entre passado e presente. O romance acompanha esse movimento interior sem recorrer a soluções fáceis: aqui, as recordações não trazem conforto, mas ambiguidades, dúvidas e revelações tardias.
A escrita de Jairo Carmo combina introspecção, observação psicológica e um permanente diálogo com a literatura, a religião e a filosofia. As vozes dos mortos convivem com os dramas do presente; o desejo, a culpa e a fé aparecem entrelaçados numa narrativa em que o íntimo e o histórico se contaminam continuamente. A Amazônia, mais do que cenário, impregna o livro com sua atmosfera de calor, excesso, beleza e ameaça.
Ao longo do romance, personagens marcados por perdas, frustrações e desencontros buscam algum sentido para a experiência de viver — ou ao menos uma forma de suportá-la. E é justamente dessa tentativa imperfeita, profundamente humana, que nasce a força do livro.
Com este romance, Jairo Carmo encerra a trilogia As águas do tempo, iniciada com Carnaval amarelo e seguida por Belas viúvas, reafirmando um universo ficcional em que memória, família e passagem do tempo se tornam matéria de uma narrativa densa e emocionalmente precisa.


A era do sono
No domínio de Suã
Vera Ballroom
A bordo do Clementina e depois
Hakim, o geômetra e suas aventuras 