A mão quase alcançava o pacote de macarrão (do tipo gravatinha _o preferido do Carlinhos), quando o gesto ficou em suspenso. A frase! Uma imagem que acabava de brotar e que tinha tudo para virar poesia. Como uma borboleta rara que voa, arisca: há um momento único de persegui-la e capturá-la na rede das idéias. Depois disso, nunca mais; pelo menos, não aquela. A frase soava tão forte que ela se alheou de tudo, do pacote de macarrão, da lista de compras, do carrinho quase transbordando, das pessoas que pediam licença, irritadas com aquela mulher parada no meio do corredor, atrapalhando a passagem. A frase insistia, martelava, numa revelação intensa, única, lírica, um clarão repentino vindo das profundezas de sua imaginação.


Quase música
Cadernos de alguma poesia
Arroz e feijão, discos e livros
O que não cabe na boca
Sodoma
O produtor como autor
Max Martins em colóquio
O assassinato da rosa
Poesia reunida
A casa invisível
Sophia: singular plural
Caminhos para conhecer Dona Flor no cinquentenário da narrativa de Jorge Amado
O fim do Brasil
O mar que restou nos olhos
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Todo abismo é navegável a barquinhos de papel
O desejo de esquecer
Shazam! 

