[Livro em pré-venda – envio a partir de 5 de março]
Reunindo ensaios escritos desde De volta ao fim (2016), Marcos Siscar acompanha a poesia moderna e contemporânea justamente onde ela parece querer fugir de si mesma. De João Cabral a Ana Cristina Cesar, de Baudelaire a Mallarmé, de Beckett a Drummond ou a Max Martins; das experiências de revista e de tradução à questão da prosa, o autor rastreia gestos que, ao mostrarem seu apego ao real, acabam reinventando aquilo que ainda podemos chamar de poesia. Em vez de decretar fins ou celebrar consensos fáceis, Siscar relê cenas de “crise”, nas quais a escrita poética testa novas formas de vínculo com a história e com o outro.
A noção de endereçamento – escrever “para alguém”, sob o risco e o desejo da resposta – atravessa os ensaios e desloca velhas oposições como biografismo e textualidade, escrita do sujeito e escrita das coisas. Entre tecnologia do arquivo, readymades, traduções extravagantes, mediações pirotécnicas, portas da lei e cartas extraviadas, Saídas da poesia mostra como a crítica, ela mesma, pode aspirar à poética da resposta: exercício de escuta, responsabilidade e imaginação frente aos destinos da poesia hoje. Ao colocar em contato Mallarmé, Derrida, Llansol ou a tradição poética brasileira, o livro encena uma crítica que não se limita a descrever obras e projetos, mas que assume o risco de responder a seus interlocutores – aceitando a convocação ética do outro texto, como quem se coloca diante do enigma de uma porta entreaberta. Para pesquisadores, estudantes e leitores que desejam pensar a poesia para além de fórmulas escolares, este é um convite a habitar o espaço tenso em que escrever, ler e traduzir significam também uma forma de resposta.


Regra e exceção 
