Joana Biondi nos conduz por uma trilha de palavras que parecem escorregar pelas mãos, mas que deixam marcas profundas – como uma dança fluida entre o corpo e a mente, entre o toque da pele e o vento das ideias, num jogo de tensões entre o desejo e a dor, entre o toque e o afastamento, entre o amor e a perda. É uma escrita que não tem medo de atravessar, de se arriscar a perder-se, para nos mostrar o que realmente pulsa por baixo da superfície. Há uma certa ferocidade contida em cada verso, algo que toca em feridas de tempos passados e presentes, mas sem nunca deixar de lado a suavidade do olhar que sabe se despedir e recomeçar. O corpo que sangra e cura, o silêncio que grita e se cala, a palavra que se recusa a ser apenas palavra – demonstrando como a língua pode ser cruel e, ainda assim, acariciar tudo que pulsa e sangra. As imagens do livro fulguram e apresentam uma estrutura vertiginosa, como o próprio título insinua, na qual tudo está à beira de ruir no próximo instante. Mas há um corpo nada frágil que suporta a queda e as ferroadas, transfigurando-as numa poética vigorosa e de rara sensibilidade.


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